sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

3. O Impacto

O comboio parou! E a ansiedade, num crescendo quase insuportável.
Mas tinha uma mala enorme para transportar. Pensei ao fazê-la que podia precisar de tudo o que trazia lá dentro, como se a distância de casa e a permanência naquele novo mundo me fizesse recear alguma dificuldade. Mas nada disso acontece ali. Não na América, não naquela cidade de luz onde tudo está à mão.
Envolvida num verdadeiro formigueiro de gente, não tive qualquer dúvida em relação à saída. Só precisava de caminhar na mesma direcção que aquela multidão e rapidamente, achava eu, chegaria a uma zona mais tranquila onde pudesse descansar a mão que puxava aquele malão com rodas.
Pareceu-me interminável o percurso, mas mal saí daquela porta, um novo mundo se ergueu em frente aos meus olhos!
Lojas, galerias das mais caras marcas, cafés, restaurantes, biscoterias, bilheteiras, bancadas de câmbio... Enfim, tudo e mais alguma coisa que se possa imaginar.
Até que, não podia acreditar no que os meus olhos viam: a imponente Grand Central!
Tal como nos filmes, tal como nos sonhos, assim é e assim a vi!

Grand Central Terminal

Era uma sexta-feira quase ao final da tarde. Uma lufa-lufa constante de gente a caminhar apressadamente em todas as direcções. E eu ali, aos pulinhos, como uma criança que vê finalmente o seu super-herói ao vivo e lhe diz adeus! 
Quem me dera não estar tão carregada! Iria certamente correr os cantos todos e aproveitar para fotografar tudo.
Prometi voltar com o meu marido, não só para poder estar ali de novo e fotografar com uma máquina decente, mas para também ele poder apreciar aquele monumento. 
A máquina estava guardada dentro da mala, pelo que me fiquei pelas fotos com o telemóvel. Não ia querer remexer as cuecas e as meias em plena Grand Central! Não é que alguém fosse reparar nisso.
Se há coisa natural por aquelas bandas, é pessoas a fazer tudo o que lhes dá na cabeça. Seja a cantar, seja a dançar, seja a falar consigo mesmas ou a rir sem qualquer razão. 
Ninguém está preocupado. Ninguém está a avaliar. Ninguém se importa com a opinião de quem passa. Cada pessoa é um mundo em si mesma.

Grand Central Terminal


Mas está na hora de procurar um taxi! 
Com a preciosa ajuda do meu colega de trabalho e de viagem até Nova Iorque, pus os pés na parte exterior daquela gigantesca estação de comboios.
"Uau!!!" - consegui exclamar!
"Uau!!!" - repeti quase sem voz.
Senti-me desfalecer de surpresa, como se tivesse parado de respirar por instantes, ao elevar o olhar até ao topo daqueles edifícios a tocar os céus.
Rodopiei sobre mim mesma sem baixar a cabeça. Não conseguia sair daquele estado de espanto!
Quando finalmente o fiz, tive dificuldade em gerir os sentidos.
As luzes e o colorido, os sons dos carros, das vozes, dos aparelhos, os odores que invadiam e se entranhavam em mim como se me sugassem para dentro daquele novo mundo, o frio entrecortante que se fazia sentir!...  

Exterior da Grand Central Terminal

[Esta foto não faz jus ao que descrevi, porque no turbilhão de sensações e já a entrar no taxi, não consegui melhor registo. Em post seguintes terei oportunidade de mostrar o que quis dizer com "Rodopiei sobre mim mesma sem baixar a cabeça. Não conseguia sair daquele estado de espanto!"]

No meio daquela confusão, um táxi parou para que eu entrasse.
Ao contrário do condutor do Uber, o taxista  não saiu para me ajudar a colocar a mala na bagageira. 
"Take me to  this address, please." - e dei-lhe a folha com a morada escrita, que me levaria ao apartamento em Brooklyn.
Mal podia esperar!

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