sábado, 20 de janeiro de 2018

7. Nat Sherman Townhouse

Ruborizados pela frescura do vento, avançamos na direcção oposta ao trajecto anterior, continuando na 42nd St.
"Olha que giro! Vamos entrar para ver! É uma loja de cachimbos e charutos!" - gritei com entusiasmo.
Sempre adorei o cheiro do cachimbo. Faz-me lembrar o meu tio Octávio, que apesar de ter falecido quando era ainda bem pequenina, me brinda com algumas memórias felizes.

Nat Sherman Townhouse

Entramos.
Em pleno burburinho moderno de Midtown Manhattan, conseguimos recuar a um tempo completamente diferente no preciso instante em que colocamos o pé dentro da loja.
Num salão cheio de fumaça e com uma mistura ecléctica de clientes, antiguidades e produtos distintivos do tabaco, remontamos imediatamente a uma época onde o tabaco era rei, os negócios eram conduzidos sobre um cinzeiro e todos usavam um terno. Tinha a nítida sensação de que todos aqueles homens eram perfeitamente identificáveis como fumadores de charuto ou cachimbo em qualquer outro lugar que não ali.

Interior da Tabacaria

Nat Sherman é um negócio familiar, liderado pelos três netos de Nat Sherman, com patente registada e continua a ser uma marca de cigarros americana proeminente.
Foi aqui que grandes personalidades como Frank Sinatra e Rudy Giuliani, ex-Prefeito de Nova Iorque, adquiriram os seus charutos por décadas!
É interessante pensar que em meados dos anos 1900 os charutos eram uma marca de status.
Segundo Michele Sherman: "Poderíamos dizer o valor de um homem pelos sapatos que ele usava e o charuto que ele fumava."
Mas hoje em dia, com as limitações do tabagismo interno, os charutos tornaram-se uma espécie de produto de luxo.

Nat Sherman Ashtray

Os visitantes são levados para uma sala parecida com uma adega, mantida a 70º F (aproximadamente 21º C) e 70% de humidade para garantir condições óptimas de armazenamento de charutos, onde podem experimentar e escolher o charuto perfeito para o seu gosto.

Adega para Charutos

Nessa sala podemos encontrar cerca de mil diferentes revestimentos de charutos de todo o mundo, perfeitamente armazenados em prateleiras organizadas. O preço pode variar entre 5$ e 50$ cada um. Digamos que é considerado um luxo "acessível". 

Organização dos charutos nas prateleiras

De entre tudo o que de espectacular observamos dentro desta loja, saliento os cachimbos nas paredes, o piano, o cheiro e as pessoas que fazem parte deste ambiente.

Charutos

Simplesmente delicioso! Adorei! Vale muito a pena fazer esta pequena viagem no tempo e no espaço e absorver tudo o que nos é oferecido como estímulo, conhecimento, sensação e experiência.

6. Arranha-céus a perder de vista

A primeira sensação mal pusemos o pé fora da Grand Central, foi um valente choque térmico.
O interior dos edifícios, cafés e estabelecimentos, é extremamente aquecido, em contraste com um frio gélido que se faz sentir cá fora, acompanhado de um vento que nos corta a respiração.
E perdoem-me a repetição...
"Uau!" - disse sem conseguir baixar a cabeça.
"Uau!" - e continuei paralisada com o que via.
À minha chegada, não consegui gerir os sentidos de modo a perceber que isto era ainda mais magnífico e sumptuoso do que me pareceu. E já me tinha parecido TANTO!


Apesar de termos ficado escuros, percebe-se agora o que quis dizer com "Rodopiei sobre mim mesma sem baixar a cabeça"? Pois era a isto mesmo que me referia. É qualquer coisa de formidável, fenomenal, fora de série!


O edifício pomposo atrás de nós e que se vê em destaque na primeira foto é o Chrysler Building. É o terceiro edifício mais alto da cidade, o sétimo mais alto do país e o 60 º maior do mundo, com 319 m (1047 ft). À data da sua inauguração, foi o edifício mais alto dos EUA e do mundo, superando a Torre Eiffel como a maior estrutura já construída, na época. Perdeu este título um ano depois, para o Empire State Building.


Cabeças para cima! Impossível deixar de olhar para o céu, tal era o deslumbramento.
A parte exterior da Grand Central também tinha uma arquitectura interessante!


Estamos na 42nd St e a nossa intenção é percorrer as ruas da cidade a pé, rindo e brincando, absorvendo tudo em nosso redor e desfrutando do que de melhor NYC tem para nos dar!


Viver o Amor em Nova Iorque é um fascínio. 
Viajar, é de facto mudar a roupa da alma e do espírito!
"Love is in the air... Everywhere I look around!"


Agora precisava mesmo mesmo era de um café! Ah, um belo café ia saber-me tão bem!...
Não foi preciso procurar muito. Uns metros à frente, do outro lado da rua, havia uma cafetaria. Na montra dizia "aroma espresso bar" e arriscamos. 


Não estava muito confiante de que fosse possível tomar um bom café em Nova Iorque. Com base nas minhas tentativas anteriores, o máximo que tinha conseguido era um copo de água tingida com um ténue sabor a café. Mas a experiência foi de facto surpreendente! Valeram bem os 3.20 dólares que pagamos por cada um. 


Precisava muito de ir à casa-de-banho, mas a cafetaria não tinha. Ao balcão, sugeriram-me que atravessasse a rua e que usasse a do Hotel!... Assim fiz.
Entramos como se fossemos hóspedes. Não falamos com ninguém, nem ninguém nos perguntou nada. O "The Westin New York Grand Central Hotel" é bastante luxuoso e os porteiros, tal como nos filmes, ajudam a transportar as malas naqueles carrinhos dourados e elegantes, à espera de uma recompensa choruda. Há sempre táxis e carros topo de gama à porta, para evitar que as madames e os senhores gastem as solas dos sapatos de 800$ ou mais. 

The Westin New York Grand Central Hotel

E sim, as ambulâncias também são como em "Grey's Anatomy" ou em "Chicago Fire", mas não vimos nenhum sinistrado, graças a Deus.
Sem darmos por isso, estávamos junto ao East River em frente ao "United Nations Headquarters". Mais exactamente, o Edifício Sede da Organização das Nações Unidas, em plena 1st Avenue.

Sede da ONU

Basicamente, tínhamos percorrido a 42nd St toda em direcção ao rio.
Parece muito, mas não chega a 1 Km.


Claro que agora tínhamos de fazer o caminho de volta, mas aproveitámos para tirar fotos espectaculares de outro ângulo.



O Chrysler Building visto deste lado e a esta hora do dia, é digno de registo!
O sistema estrutural utilizado neste edifício é a estrutura metálica e é considerada a estrutura de tijolos mais alta do mundo.

Chrysler Building

Chrysler Building - Grand Central Terminal - MetLife Building

E estamos de volta à Grande Central Terminal, com quase 1 Km em cada perna! Cansados? Não!... Queremos mais e ainda a manhã vai a meio!


Nunca mais seremos os mesmos depois disto. E ainda agora começamos!

5. Grand Central Terminal

Era Janeiro. Estava um dia agreste, gelado e ventoso.
Contudo, olhando pelas janelas de um apartamento quentinho e confortável em Brooklyn, sabíamos que o sol brilhava alto com todo o seu esplendor, o que nos fez vibrar de alegria.
Duas semanas antes, as temperaturas extremas negativas tinham-nos feito recear não ser possível concretizar esta visita.
De mochila às costas com umas sandochas, água e fruta, ansiosos pelo nosso primeiro dia em Manhattan, corremos para o Metro. Era ali mesmo ao virar da esquina.
Nova Iorque tem uma Rede de Metro muito bem provida para nos deslocarmos facilmente de um ponto para outro que queiramos visitar. Como a nossa estadia era de 5 dias, optamos por comprar o "MetroCard" de viagens ilimitadas para 7 dias, por 32 dólares cada um.
Escolhemos começar pela Grand Central, onde eu tinha chegado na tarde anterior.
E aqui estamos nós! 


Considerada a maior estação de comboios do mundo, a Grand Central Terminal possui uma infraestrutura impressionante, com 44 plataformas e 67 linhas ferroviárias. Construída ainda no início do século XX, a estação faz parte da história de Manhattan e, nos dias de hoje, é um dos cenários preferidos para a gravação de filmes e programas de televisão, devido à sua grandiosidade e magnitude.


Talvez por ser de dia e a luminosidade ser completamente diferente, o impacto do interior da Estação foi um pouco menor.


É um constante rodopio de pessoas a caminhar apressadas. Não consegui estabelecer um padrão. Tantas assimetrias, tanta diversidade! As únicas semelhanças que podia constatar, eram o nunca estar parado, nunca estar silencioso, nunca estar vazio.


Patriotas de corpo e alma, nunca deixam de exibir a bandeira americana. Pode ser grande, pequena, nova, velha, mas sempre presente aonde quer que vamos. É de arrepiar este espírito tão forte e enraizado.


O famoso relógio de quatro faces junto do balcão de informação, que por ser feito de opala, possui um valor estimado em mais de 10 milhões de dólares, é um dos principais símbolos da Grand Central.


Actualmente, estima-se que cerca de 750.000 pessoas passam pela estação todos os dias. A maior parte desse número são passageiros que utilizam o comboio para ir e voltar do trabalho. 
No entanto, este local também é bastante visitado pelos turistas, como nós, que com um simples passeio pela estação, conseguem conhecer um pouco mais sobre a cultura e o quotidiano dos nova-iorquinos.


Muito mais do que uma estação, com o passar dos anos, tornou-se num autêntico complexo comercial e gastronómico. Ao todo são 68 lojas, 35 restaurantes e um mercado conhecido como Grand Central Market, no qual é possível encontrar uma grande variedade de comidas típicas da região. É por isso considerado um dos mercados mais interessantes de Nova Iorque.


Qualquer coisa exposta nestes estabelecimentos é uma verdadeira obra de arte. Até o pão! Aquela broinha catita custava a módica quantia de 16 dólares.


Apesar de não estar muito propício para as fotos devido à incidência solar nas vidraças, não deixou de nos maravilhar com toda a sua gigantesca imponência.


Ainda havíamos de aqui voltar ao anoitecer! Queria voltar a ver a Grand Central como nos filmes!
Queria ver este tecto estrelado e cheio de constelações repleto de luz!


Olho para trás de relance e volto a deixar-me encantar pelo ambiente, enquanto me preparo para passar ao exterior. 
Bora lá para fora?

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

4. Jogo da NBA

O táxi parou no 41 da rua.
Era onde o meu marido esperava por mim.
Saltei-lhe nos braços, exultando de alegria e felicidade! Estávamos os dois na América! Era um sonho tornado realidade!!!
Subimos apressadamente as escadas para o apartamento, ansiosos por pousar as malas e as mochilas e nos vermos livres de todos os incómodos das viagens: uma directamente de Portugal, outra do estado vizinho de Connecticut.
Apesar da diferença horária, que fazia com que as 19h correspondessem à meia-noite em Portugal, o meu marido tinha comprado um bilhete para o jogo da NBA que aconteceria muito perto do local onde estávamos alojados, pensando que eu só poderia ir ao seu encontro no dia seguinte.
Se por um lado foi muito bom chegar mais cedo, por outro acabei por ir às compras e jantar sozinha enquanto ele se deliciava no famoso Barclays Center a assistir ao jogo: Brooklyn Nets vs Miami Heat.

Barclays Center

O Hino tocado a saxofone foi um ponto alto da vivência deste evento.
A solenidade e o silêncio absoluto que se faz quando toca o Hino Americano, é simplesmente arrepiante.

Hino tocado a saxofone

Enquanto isso, aproveitei para caminhar e descontrair um pouco.
Jantei num Restaurante/Bar chamado Eva Jean's (www.evajeans.com) e adorei o meu "Double Stack Burger"! Tirando os 5 dólares que paguei por um café horrível, o jantar soube-me pela vida. Bom som, bom ambiente, divinal.

Double Stack Burger

Antes de regressar a casa, ainda passei no supermercado que havia perto do apartamento.
As coisas não eram muito caras e os mirtilos, framboesas e amoras são muito mais baratos do que em Portugal. A cadeia de supermercados "Bravo" em Nova Iorque é como o "Pingo Doce" por aqui.
Aproveitei para comprar uma frutinha, leite, pão e os ingredientes que precisaríamos para um bom pequeno-almoço.
O dia seguinte prometia e precisávamos de energia!

3. O Impacto

O comboio parou! E a ansiedade, num crescendo quase insuportável.
Mas tinha uma mala enorme para transportar. Pensei ao fazê-la que podia precisar de tudo o que trazia lá dentro, como se a distância de casa e a permanência naquele novo mundo me fizesse recear alguma dificuldade. Mas nada disso acontece ali. Não na América, não naquela cidade de luz onde tudo está à mão.
Envolvida num verdadeiro formigueiro de gente, não tive qualquer dúvida em relação à saída. Só precisava de caminhar na mesma direcção que aquela multidão e rapidamente, achava eu, chegaria a uma zona mais tranquila onde pudesse descansar a mão que puxava aquele malão com rodas.
Pareceu-me interminável o percurso, mas mal saí daquela porta, um novo mundo se ergueu em frente aos meus olhos!
Lojas, galerias das mais caras marcas, cafés, restaurantes, biscoterias, bilheteiras, bancadas de câmbio... Enfim, tudo e mais alguma coisa que se possa imaginar.
Até que, não podia acreditar no que os meus olhos viam: a imponente Grand Central!
Tal como nos filmes, tal como nos sonhos, assim é e assim a vi!

Grand Central Terminal

Era uma sexta-feira quase ao final da tarde. Uma lufa-lufa constante de gente a caminhar apressadamente em todas as direcções. E eu ali, aos pulinhos, como uma criança que vê finalmente o seu super-herói ao vivo e lhe diz adeus! 
Quem me dera não estar tão carregada! Iria certamente correr os cantos todos e aproveitar para fotografar tudo.
Prometi voltar com o meu marido, não só para poder estar ali de novo e fotografar com uma máquina decente, mas para também ele poder apreciar aquele monumento. 
A máquina estava guardada dentro da mala, pelo que me fiquei pelas fotos com o telemóvel. Não ia querer remexer as cuecas e as meias em plena Grand Central! Não é que alguém fosse reparar nisso.
Se há coisa natural por aquelas bandas, é pessoas a fazer tudo o que lhes dá na cabeça. Seja a cantar, seja a dançar, seja a falar consigo mesmas ou a rir sem qualquer razão. 
Ninguém está preocupado. Ninguém está a avaliar. Ninguém se importa com a opinião de quem passa. Cada pessoa é um mundo em si mesma.

Grand Central Terminal


Mas está na hora de procurar um taxi! 
Com a preciosa ajuda do meu colega de trabalho e de viagem até Nova Iorque, pus os pés na parte exterior daquela gigantesca estação de comboios.
"Uau!!!" - consegui exclamar!
"Uau!!!" - repeti quase sem voz.
Senti-me desfalecer de surpresa, como se tivesse parado de respirar por instantes, ao elevar o olhar até ao topo daqueles edifícios a tocar os céus.
Rodopiei sobre mim mesma sem baixar a cabeça. Não conseguia sair daquele estado de espanto!
Quando finalmente o fiz, tive dificuldade em gerir os sentidos.
As luzes e o colorido, os sons dos carros, das vozes, dos aparelhos, os odores que invadiam e se entranhavam em mim como se me sugassem para dentro daquele novo mundo, o frio entrecortante que se fazia sentir!...  

Exterior da Grand Central Terminal

[Esta foto não faz jus ao que descrevi, porque no turbilhão de sensações e já a entrar no taxi, não consegui melhor registo. Em post seguintes terei oportunidade de mostrar o que quis dizer com "Rodopiei sobre mim mesma sem baixar a cabeça. Não conseguia sair daquele estado de espanto!"]

No meio daquela confusão, um táxi parou para que eu entrasse.
Ao contrário do condutor do Uber, o taxista  não saiu para me ajudar a colocar a mala na bagageira. 
"Take me to  this address, please." - e dei-lhe a folha com a morada escrita, que me levaria ao apartamento em Brooklyn.
Mal podia esperar!

2. A caminho da cidade dos sonhos

Tinha passado uma semana desde o meu primeiro contacto com solo americano.
Uma viagem de trabalho a Shelton, no estado de Connecticut, marcava o início de uma enorme aventura.
Um Uber requintado e perfumado, com um condutor simpático e prestável, levou-me da empresa, em Shelton, até à Estação de Comboios de Stamford.
Tinha como destino Nova Iorque, a cidade dos sonhos!

Estação de Comboios de Stamford

A ansiedade consumia-me por dentro.
Imaginava aqueles edifícios imponentes, luminosos, tentava colorir esses pensamentos com sons e odores... e juntava a tudo isso as saudades do marido com quem me iria encontrar mais tarde.
Os meus pensamentos foram interrompidos de forma abrupta pela discussão de uma mulher grávida ao telefone, com o presumível pai do filho que carregava na barriga.
Os revisores repreenderam-na pelo tom de voz com que falava, dizendo que incomodava as pessoas que a rodeavam. Já antes a tinham repreendido por colocar os pés em cima do sofá da frente, sob o pretexto de ter dores na barriga.
O que inicialmente me despertou a atenção sob a forma de alguma solidariedade, transformou-se em irritação quando decidiu jogar um jogo no telemóvel com o som no máximo, onde a cada 15 segundos disparava em alguma coisa que tornava aquilo ainda mais insuportável.
"Isto está mesmo a acontecer?" - perguntei ao colega com quem partilhava a viagem.
Não podia crer.
Mais uma vez, a revisora que mais parecia um homem pela forma como se apresentava, abordou-a dizendo que o bilhete que ela tinha não era válido para aquele comboio.
Confirmou-se que não.
Sofri pela rapariga, grávida, sozinha, ao anoitecer, sem dinheiro e pelo que descrevia, sem tecto onde se recolher caso não conseguisse chegar ao seu destino, segundo ela, Bronx.

Bronx

Num pequeno espaço de tempo, fui avassalada por diferentes emoções, algumas delas contraditórias.
Senti as lágrimas escorrerem-me dos olhos quando uma menina sentada ao meu lado, a quem eu não daria mais de 16 anos, lhe explicou como haveria de apanhar o comboio correcto na próxima estação, juntamente com 5 dólares. Estabeleceu inclusivamente ligações com locais onde ela poderia pedir ajuda. Foi aí que percebi que tudo aquilo poderia ser uma enorme fachada para angariar dinheiro. Acalmou-se, disse que não precisaria de mais nada porque considerava que o melhor a fazer era sair e procurar um hospital contando que estava com muitas dores. Dores essas que pareceram ter desaparecido num instante quando se levantou para seguir outro rumo.
A menina que a ajudou, certamente muito jovem, tinha já dois filhos e era mãe solteira, o que parecia ser perfeitamente natural por ali.
Pude finalmente recostar-me no banco e apreciar a paisagem ao anoitecer.
Sorri ao recordar-me que o telemóvel da pobre mulher era melhor do que o meu e que a folha onde ela pediu para anotar as indicações trazia já outros trajectos escritos por outras pessoas, que da mesma forma tentaram ajudá-la.
Fica a dúvida! E naquele mundo imenso de vidas cruzadas e realidades diferentes, tudo pode acontecer!
E voltei a pensar no meu marido, que deveria já estar a caminho do apartamento onde aguardaria a minha chegada e de onde partiríamos para a grande aventura: conhecer Nova Iorque!!!

1. Changing the soul clothes


"Viajar é mudar a roupa da alma."
- Mário Quintana -

A sobrevoar Madrid